Tempo

Tempo

das coisas, dos lugares,das vivências.. tempo para ti.

O Amor(e)

“O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr’a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar”

Fernando Pessoa

Saber ouvir

Muito pertinente para psicólogos, pais e pessoas que trabalham no sector social.

When I ask you to listen to me
and you start giving me advice,
you have not done what I asked.

When I ask you to listen to me
and you begin to tell me why
I shouldn’t feel that way,
you are trampling on my feelings.

When I ask you to listen to me
and you feel you have to do something
to solve my problem,
you have failed me,
strange as that may seem.

Listen! All I ask is that you listen.
Don’t talk or do – just hear me.

Advice is cheap; 20 cents will get
you both Dear Abby and Billy Graham
in the same newspaper.
And I can do for myself; I am not helpless.
Maybe discouraged and faltering,
but not helpless.

When you do something for me that I can
and need to do for myself,
you contribute to my fear and
inadequacy.

But when you accept as a simple fact
that I feel what I feel,
no matter how irrational,
then I can stop trying to convince
you and get about this business
of understanding what’s behind
this irrational feeling.

And when that’s clear, the answers are
obvious and I don’t need advice.
Irrational feelings make sense when
we understand what’s behind them.

Perhaps that’s why prayer works, sometimes,
for some people – because God is mute,
and he doesn’t give advice or try
to fix things.
God just listens and lets you work
it out for yourself.

So please listen, and just hear me.
And if you want to talk, wait a minute
for your turn – and I will listen to you.

Author Unknown

There’s a Hole in My Sidewalk: The Romance of Self-Discovery

A árdua jornada da autodescoberta e mudança. Uma biografia ou quiçá autobiografia em 5 capítulos.

Chapter I

I walk down the street.
There is a deep hole in the sidewalk
I fall in.
I am lost … I am helpless.
It isn’t my fault.
It takes forever to find a way out.

Chapter II

I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I pretend I don’t see it.
I fall in again.
I can’t believe I am in the same place.
But, it isn’t my fault.
It still takes a long time to get out.

Chapter III

I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I see it is there.
I still fall in … it’s a habit … but,
my eyes are open.
I know where I am.
It is my fault.
I get out immediately.

Chapter IV

I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I walk around it.

Chapter V

I walk down another street.

Um poema de Portia Nelson

Qual é a tua persona?

                                                                     “Torna-te naquilo que és!”

Tenho dado por mim a pensar nesta frase de Nietzsche, que me transporta aos anos da adolescência ou começo da idade adulta, onde como qualquer humano padeci das incertezas do eu. Foram anos de grande sofrimento intelectual, mas ao mesmo tempo profícuos, porque orientados pela descoberta pessoal.
A idade adulta apresentou-me esta ideia de que havia uma ânsia pela estabilidade e independência económica, praticalidades que não puderam coabitar com a jornada da concepção do eu.

Sem que me apercebesse fizeram-me crer, que tinha de optar por uma ou por outra e como a jornada do eu se estava a tornar demasiado longa para a paciência da pressão social tive de a deixar partir.
Foi-se o pensamento e a inspiração. Vieram as coisas, os postos, as contas, as pessoas, os poisos e a bagagem. Estava no rumo certo. Fiz o que se me era esperado.

Retrospectivamente pergunto-me quando disto sou eu.
Ao longo da vida o ser humano vai incorporando uma multiplicidade de softwares, que representam aquilo que aprendemos e que nos levaram a acreditar que nos pertence : preciso de ser bem sucedido! Rugas são feias! Tenho de tirar os pelos das pernas! Marcas e cores da estação! Casamento (com a pessoa certa)! Filhos (aos 30)! Carreira! Sorriso! Usar o S! Pagar a conta da água! Etiqueta e códigos de conduta !Cão labrador! Usar fato para uma reunião de trabalho)! E cuecas, mas rendadas porque as de algodão são foleiras e desinteressantes.
Perante esta pluralidade não será de estranhar que o individuo fique perdido neste maranha de coisas ensinadas, que entram em conflito umas com as outras em determinadas alturas da vida.
Há sempre desculpas para não nos transformarmos naquilo que somos: Se no passado tivemos que priorizar a subsistência hoje o ethos está na globalização e na multimédia. A efemeridade e ritmo impedem-nos de nos tornarmos conscientes do facto de que vivemos uma vida emprestada.
E quando nos perguntam quem somos não sabemos, por isso, respondemos que somos advogados ou carpinteiros, que somos casados e de Leira, que somos sociáveis e que não gostamos de pessoas com calças amarrotadas no traseiro.

É como se vivessemos com dois seres ao mesmo tempo: o nós e o eu. O primeiro domina o segundo; o segundo deixa-se manipular pelo primeiro.

Para vos dar um exemplo, a semana passada fui a uma formação e o facilitador dava-nos conta que passou a maior parte da vida com uma relutância em relação aos franceses. Um dia resolvera questionar-se da origem deste sentimento e concluiu, que na verdade, não era ele quem não gostava de franceses. O Khaz não tinha qualquer ideia sobre os franceses, porque nunca conhecera nenhum e mesmo que o tivesse e a coisa corresse mal seria injusto tomar um encontro por toda uma nação. Depois pensou que a mãe era Inglesa e o pai argelino, e como tal, por razões históricas de conflitos entre estes países, o Khaz passara toda uma vida bombardeado por estereótipos em relação a França. Hoje sabe que não tem problemas com os franceses simplesmente fora ensinado a não gostar deles.
Personalidade deriva etimologicamente do grego persona que significa máscara social. E todos pomos uma no palco social, o problema acrescento, é que trazemo-la para casa connosco e esquecemo-nos de nos procurar, de sermos quem somos e provavelmente passaremos toda uma vida a executar os passos e a recitar as passagens da persona que nos ensinaram lá no sítio donde viemos .
A coisa está tão bem feita, que provavelmente criaremos personalidades nos novos com que nos cruzemos e incutir-lhe-emos esta ideia de que O EU é uma história que se conta aos meninos pequeninos à semelhança do pai Natal.

Truth

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Drink you sober

T

Matrix

Fotografia de Rua – Bill Harris

Life in a day: o mundo num único dia

Uma ideia criada no youtube a partir da noção de diversidade mobilizou milhares de humanos a compartilharem rasgos dos seus dias com o demais mundo.   

O conceito gerou uma resposta de mais de 80 mil vídeos oriundos de 192 países  e tudo filmado num único dia, 24 de Julho de 2010. Isto inspirou Ridley Scott que juntamente com  outros nomes decidiu produzir um documentário baseado nas gravações.

E em que se desmonta o documentário? No fundo mostra o mundo escarrapachado, a abrir-se em indivíduos, cada qual com sua própria maneira de existir e coexistir na mais colorida e curiosa diversidade. Gente como nós com diferentes ritos, oportunidades e  existências a pulsarem em seu redor.

Playing for change

 

A voz de Roger Ridley enquanto cantava “Stand by me” nas ruas de Santa Monica, na Califórnia, despertou uma ideia num grupo de realizadores: e se o mundo estivesse ligado através da música? Surgiu então a ideia de viajar pelo mundo com um mini estúdio e recolher vozes e sons de todos os continentes. O resultado foi um documentário premiado em 2009 – Playing For Change: Peace Through Music.

O estremecimento de Sue

 
Sue sabia que a plangência que a atravessava era manipulativa. A si servia de desculpa para se adiar como gente e aos outros para que os saturasse de tal maneira que alimentavam a sua tristeza quando partiam de vez.

De onde vinha tal desassossego? Esse bicho-carpinteiro que lhe dizia a toda a hora que só estaria bem na fatia do mundo onde não estava.

Sue podia ter tudo. Tinha um daqueles rostos universalmente agradáveis. Daqueles que geravam consenso. Era simpática e leal. Tinha talentos que descontava numa intranquila insegurança.

Sue pasmava quando a recompensavam e ainda mais quando lhe diziam o quanto importante era.

Sue podia ter tudo, repito, mas por algum motivo, um daqueles provavelmente profundos que remontam à primeira infância, escolheu não deixar acontecer.